Fonte: José Demes
O repertório da banda não tinha nenhum compromisso com estilo musical, tocava uma diversidade de ritmos o que, sem dúvida, agradava a todos aqueles que compareciam às suas apresentações, independentes da idade. Na verdade, público eclético caracterizava as apresentações da banda.
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| Célia Reis no Vocal |
A banda começou a tocar nos períodos de férias escolares, a partir de fevereiro de 1975, inicialmente tocando cover, mas com arranjos próprios, depois enveredou pela trilha autoral, executando músicas de seus integrantes, de compositores locais e musicando letras de poetas e poetizas de Floriano.
A grande característica da banda era a pesquisa musical, a incorporação de novos sons em suas músicas, inclusive com a criação de instrumento, como por exemplo o Xikotron, instrumento que imitava o som de sintetizadores.
No início, a banda era formada por Ademar Neiva (guitarra, violão, baixo, teclado, gaita e voz), Nilson Coelho (guitarra, violão, craviola e voz), José (Ieié) Demes de Castro (voz e violão), Gennyson Cavalcante (voz), Dilson Barbosa (voz), Irapuã Leal (guitarra), Gaspar Mascarenhas (guitarra, baixo e voz) e Chico Demes de Castro (som, luz e criação de parafernália eletrônica). Com esta formação a banda se apresentou pela primeira vez em fevereiro de 1975, no Bar Br, ainda em construção.
Com o passar dos anos novos componentes foram se juntando à banda: Antonio Ricardo Xavier (Totó) que cuidava da parte de cenários dos shows, letras de músicas e da parte jornalística da banda; Célia Reis, a voz feminina da banda; Mercury Leitão, no controle de som e luz e das mesas de som nos shows. Mais tarde, Neiva Filho (bateria e voz). Além dessas pessoas, colaboravam também com a criação musical as irmãs poetizas Rosa Costa e Silva e Glícia Costa e Silva e, ainda, Cicero Coelho e Fábio Nóbrega (compositores).
Na verdade, a existência da banda e realização dos shows se devia principalmente aos senhores Orlando Peixoto, à época proprietário da Banda “Os Iguais” e Milton Lima Reis, o “Miltinho da Relojoaria”, também proprietário de banda musical, que gentilmente cediam seus aparelhos e instrumentos musicais para a realização de ensaios e shows, sem qualquer ônus, já que o grupo possuía apenas um violão, uma viola e uma craviola.
Outro grande colaborador do movimento musical, foi, sem dúvida, o Padre Pedro Oliveira, que cedia o Salão Paroquial para ensaios e shows sem qualquer restrição. Sem a ajuda dessas pessoas era impossível a realização dos shows.
A partir de fevereiro de 1976, no show “ A Cabeça do Cavalo Celeste”, a banda passou a incorporar no seu repertório músicas autorias, mas somente a partir de 1978, em um show de música regional, passou a executar, exclusivamente, músicas autorais e de outros compositores de Floriano.
Fevereiro de 1979, foi o grande momento da banda com o show “Cantor da Lua”. Grande produção para os padrões culturais da cidade Floriano, à época. Cenários trabalhados, cadernos com letras e produção e a inclusão de novos músicos com instrumentos de sopro, tais com saxofone, trumpete e no repertório a inserção de músicas instrumentais, todas autorais. A partir desse show as músicas autorais da banda caíram no domínio popular dos jovens de Floriano. Onde havia um tocador de violão as músicas da Viazul eram sempre tocadas e cantadas, principalmente nas rodas de violão no cais do porto, muito comum à época. Dentre essas músicas se destacavam “Surdas Canções”, “Velho Caís” e “Flash Gordon”.
Seguiram-se outros shows de grande sucesso, tais como “Expresso Sul do Oriente” (fevereiro/1980), “Visagem” (julho/1980)”, “Correnteza” (fevereiro/81) e outros shows que não tiveram grandiosa produção como os já citados, mas de grande riqueza musical.
Em cada apresentação da banda sempre haviam músicos convidados. Tocaram com a Viazul os músicos de grande talento musical: Cancão, Antônio dos Santos, Peixoto, Nonatinho, Ribinha, Carraspana, Bispo, dentre outros. Cuidavam da montagem dos equipamentos Humberto e Jacaré.
O último show da banda foi realizado em fevereiro/1987, para mais de mil pessoas na beira do rio (cais do porto). Naquela oportunidade a banda tocou com os seguintes músicos: Adelmar Neiva (guitarra), José (Ieié) Demes (voz), Neiva Filho (bateria e voz), Nonatinho (baixo) e Lima (teclados).
E assim, “o sonho acabou”. Como escreveu Antônio Ricardo Xavier (Totó) em seu belíssimo texto de abertura do show “Cantor da Lua”: “Nós amigos de berçário dispersados pela vida; muito tempo foi passado, noites, longe um do outro; pelos, gritos, penas, fogos, sem nos vermos, por aí. Até que a musa nossa música nos juntou, todos, aqui. Descobrimos o caminho e nos chamamos. Verde pasto, vida velha, rumo negro e prateado, estrada sul, via nova, VIAZUL”



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